De deuses, homens e divindade
artigo publicado nno Jornal do Tocantins em 16/12/2009
Eu li!
Li uma das obras mais importantes publicadas recentemente. Trata-se de “Livros Sangrentos” de Dídimo Heleno, o qual fez um estudo profundo nos 5 livros do Velho Testamento e, com paciência de Jó, anotou incoerências, inconsistências, absurdidades e estranhezas. O livro está ótimo e recomendo que todos o leiam, mas está trazendo dores de cabeça ao escritor.
Amigos fogem de Dídimo, como se este fosse a encarnação do Mal; desviam-se. Os mais covardes apontam a cruz ao nosso amigo. Este, o Calvário. Vamos ao ponto.
Dídimo, os que te maltratam nunca foram teus amigos ou não são cristãos. Porque disse o Cristo: “Amai os vossos inimigos”. O que dizer, então, dos amigos?
Fizeste análise dos atos do “Senhor dos Exércitos”. Aquele ser correspondia aos parâmetros da ideia sobre Deus para aquela comunidade, naquela região geográfica e para aquela época histórica. Para aceitá-lo, teríamos de recuar 5 mil anos de evolução conceitual e desenvolvimento tecnológico.
Mais, Dídimo: sinto informar, mas tua denúncia está atrasada em coisa de 2 milênios. Aí pelo ano zero um judeu chamado Jesus de Nazaré, conhecido como “Cristo”, “Unigênito de Deus” e outros conceitos, já tinha observado a série de absurdidades daquele Deus sanguinário e, em paz, lançou um discurso de renovação. Foi radical. Onde a ordem era “aborrecer o inimigo”, orientou, generosamente: “amai os vossos inimigos” e, ao observar ritos, sacrifícios, atos de coação e extorsão praticados em nome de Deus, resumiu tudo numa frase simples e profunda: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” e juntou, para demonstrar que todo o cabedal anterior já não tinha razão de ser: “eis aí toda a Lei e os profetas”!
As reações foram terríveis. Então ele alertou: “Cuidai que vim destruir a Lei? Não, não vim destruir a Lei, mas vim para que ela se cumpra”.
Pois a Lei se cumpre, Dídimo. Hoje, 2009 anos depois, as consciências já evoluíram, apesar dos nichos resistentes, cristalizados na estrutura mental de há 5.000 anos. E é facílimo comprovar, pois àquele judeu que propôs uma nova ordem onde impera o amor, restou o Calvário, o sofrimento na cruz e todos os opróbrios possíveis. A ti, meu bom Dídimo, abrem espaço, negam amizade, negam parentesco, apontam o histórico instrumento de tortura... mas só apontam, não haverão de pregar-te à cruz.
Como vês, esses que te acusam não são cristãos. Estão com as consciências presas numa época que já não cabe na imensidão de amor que o Cristo disseminou. E é através dessa concepção de amor que você observa os atos daquele “Deus” terrível, cheio de preferências e preconceitos. Por isso, Dídimo, pela tua coragem, pela tua acuidade de observação e pelo trabalho que o Cristo implantou nesta humanidade, digo sem receio qualquer: eu te amo.